Sexta-feira, Agosto 11, 2006

O amor

Por curiosidade li os posts de Agosto de 2004 e os de 2005 referentes ao mesmo mês. As diferenças do meu estado de espírito são abismais. No entanto, quando penso no que efectivamente mudou em termos palpáveis fico espantada pois pouco ou nada mudou. A minha vida é hoje exactamente a mesma de há dois anos. Toda a mudança surgiu ao nível mental e psíquico, o que me deixa mais surpreendida. Como se explica a mudança operada em mim? Não sei. O que eu sei e percebo são as consequências benéficas dessa mudança. Deixei de me dar com algumas pessoas com as quais na verdade nunca quis dar-me: não lhes achava grande interesse para começar pois não eram pessoas que tivessem algo a ver com a minha maneira de ser ou a minha forma de estar na vida. Isto poderá ofender algumas pessoas, mas sejamos francos para muitos outros a minha pessoa também não lhes diz nada e eu vivo bem com isso. Para além disso não me sinto dependente de ninguém nem em termos sociais nem em termos afectivos. Dependência essa que existiu nos últimos anos numa busca desesperada da minha parte em encontrar algo, construir algo, numa tentativa de ser salva não sei lá muito bem do quê.

Alguém disse que o amor é a derradeira constatação de que existimos na medida em que somos importantes para alguém. O amor projecta-nos, alimenta-nos, torna-nos "maiores". Nele e com ele encontramos o equilíbrio, a felicidade, a plenitude. Eu procurei o amor nas pessoas erradas e nas situações erradas. Procurei o amor em quem não queria amor, em quem não sabia o que queria ou o que procurava, em pessoas que acreditavam que os seus comportamentos perante os outros eram e continuam a ser inconsequentes. Procurei o amor em pessoas que não se queriam dar e que não se sabiam dar; em pessoas que viviam e vivem de aparências, que não aceitaram aquilo que lhes foi dado com sinceridade. Procurei, em suma, o amor em pessoas que não sabiam e não sabem o que é o amor.

O amor, todavia, está aqui bem presente em mim, na minha vida, em todas as pessoas que conheço e com as quais me dou. No sol que nasce e se põe todos os dias. O amor encontra-se também no gato que esticado no chão se espreguiça e tenta afastar o calor. É aqui que se encontram o amor, o equilíbrio, a plenitude: bem dentro de mim.
0 comments

0 Comments:

Post a Comment